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Coersão: Como romper as grades invisíveis?

  • Foto do escritor: Alessandra Hartveld
    Alessandra Hartveld
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

O controle exercido sobre uma mulher não acontece por acaso; ele é fruto de estratégias silenciosas e minuciosas criadas pelo agressor, conhecidas como controle coercitivo.


Através de pequenas hostilidades diárias — as chamadas microagressões — e de uma vigilância constante, constrói-se uma armadilha invisível. O verdadeiro objetivo por trás dessas táticas é o domínio absoluto: isolar essa mulher de sua rede de apoio, para que ela se afaste de amigos e familiares, minando suas forças e destruindo sua autoestima, para mantê-la aprisionada em uma dependência exclusiva.


Por isso, diante de uma situação de abuso, precisamos mudar urgentemente a pergunta que fazemos. Em vez de questionarmos "por que ela não vai embora?", devemos nos perguntar: o que foi feito para cercar e impedir todos os caminhos de saída dessa mulher?


Viver sob o peso de críticas constantes, ofensas, monitoramento de rotina e violência psicológica diária faz com que a mulher comece a duvidar de sua própria capacidade e sanidade, assumindo a culpa por situações que ela não criou. Esse comportamento nada mais é do que um terrorismo doméstico e familiar, onde ela se torna refém de regras rígidas e de uma fiscalização sem fim sobre seus horários, roupas e escolhas. A principal arma dessa dinâmica é anular completamente a vontade e a autonomia da outra pessoa. É uma invasão profunda que ultrapassa os limites do espaço físico, violando o psicológico, a vida pessoal, os laços afetivos e o ambiente profissional, consolidando um controle permanente, total e absoluto sobre a vida de uma mulher.




Como romper as grades invisíveis?

O ciclo do controle coercitivo não é um ato simples de força de vontade; é um processo estratégico e, acima de tudo, coletivo. Para a mulher que se encontra no centro dessa teia, o primeiro e mais crucial passo é quebrar o silêncio. Redescobrir caminhos de saída exige restabelecer pontes que o agressor tentou destruir: reaproximar-se de amigos de confiança, retomar o contato com familiares ou buscar redes de apoio institucionais.


Além disso, o suporte profissional é indispensável. A psicoterapia oferece um espaço seguro e livre de julgamentos para que essa mulher possa reconstruir sua autoestima fragmentada, validar suas próprias percepções da realidade e recuperar a confiança em sua autonomia. Paralelamente, a orientação legal e o apoio de assistentes sociais ajudam a traçar um plano de segurança prático e seguro para o momento da partida.


Se você se reconhece nessa dinâmica, lembre-se: a culpa nunca foi sua, e você não precisa caminhar sozinha. Existe vida, liberdade e recomeço do outro lado do muro que construíram ao seu redor.


Alessandra Hartveld é psicóloga de abordagem Junguiana, atende presencialmente em Hong Kong e online.



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